O prolapso é a queda ou descida, total ou parcial, de um órgão ou estrutura orgânica. Fala-se em prolapso genital quando a estrutura de suporte dos órgãos pélvicos enfraquece ou se rompe. Esta estrutura é composta pelos ossos da bacia, músculos e fáscia (membrana que envolve músculos e outras estruturas do organismo). Como resultado, um ou mais órgãos descaem, alterando a sua posição anatómica e comprometendo o seu funcionamento. De acordo com a Associação Portuguesa de Urologia, estima-se que quase 50% das mulheres entre os 50 e os 79 anos tenham algum tipo de prolapso.

Tipos de prolapso genital

Há várias formas de prolapso genital, consoante os órgãos afetados. Em alguns casos, a patologia atinge mais do que um órgão ao mesmo tempo. Estes são os tipos mais comuns:

  • Cistocele | Prolapso da bexiga
  • Retocele | Prolapso do reto, a parte final do intestino grosso que termina no ânus
  • Prolapso uterino | O útero desce sobre a vagina
  • Enterocele | Prolapso do intestino delgado, que se identifica normalmente na parede posterior da vagina

Sinais de alarme  

Embora em muitos casos o prolapso genital não dê origem a sintomas e o problema só seja detetado através de exames médicos, há outros casos em que há sintomas associados.

Um prolapso da bexiga pode dar origem a episódios de urgência e frequência urinária: vontade repentina e dificilmente controlável de ir à casa de banho ou urinar mais de oito vezes por dia. Pode levar também à ocorrência de infeções urinárias e à sensação de esvaziamento incompleto da bexiga após uma ida à casa de banho. Já o prolapso do reto pode manifestar-se através de obstipação, dificuldade em defecar, sensação de ter sempre os intestinos parcialmente cheios ou incontinência fecal.

Também poderão indicar algum tipo de prolapso genital os seguintes sintomas: queixas de pressão na zona abdominal, sobretudo ao tossir, espirrar ou após longos períodos em pé; sensação de uma bola na vagina; desconforto na zona pélvica; dores pélvicas e/ou lombares; atividade sexual desconfortável ou dolorosa. Em casos mais graves, o prolapso pode causar infeções, hemorragias ou úlceras.

Fatores de risco

O risco de desenvolver prolapso genital pode aumentar devido a situações que contribuem para o enfraquecimento dos tecidos que suportam o pavimento pélvico. É o caso das seguintes:

  • Gravidez e parto
    O prolapso genital é mais comum em mulheres com filhos, sobretudo nas que tiveram partos por via vaginal. O risco aumenta à medida que têm mais filhos ou em casos em que os bebés são grandes.
  • Menopausa
    Esta etapa da vida mulher caracteriza-se pelo declínio natural da produção de estrogénios (hormona produzida pelos ovários). Os estrogénios são responsáveis pelo desenvolvimento e manutenção dos aspetos característicos do corpo da mulher. O declínio da sua produção conduz a uma maior fragilidade dos músculos pélvicos e das estruturas que suportam a vagina.
  • Pressão na região pélvica
    Todos os fatores que aumentem a pressão na região pélvica podem contribuir para a ocorrência de prolapso genital. Por exemplo, o excesso de peso, a tosse crónica, a tensão provocada pela prisão de ventre ou a realização de trabalhos pesados.
  • Cirurgia pélvica
    Alguns procedimentos ginecológicos podem enfraquecer os tecidos da zona pélvica e originar o prolapso de um dos órgãos. Por exemplo, a histerectomia (remoção do útero). No entanto, com o avanço das técnicas cirúrgicas este problema é cada vez menos frequente.
  • Genética
    Pensa-se que um dos principais fatores na origem do prolapso dos órgãos pélvicos sejam alterações do colagénio e do seu metabolismo que, muitas vezes, são hereditárias.

Diagnóstico e tratamento

O diagnóstico do prolapso genital assenta na observação clínica e em exames ginecológicos ou retais. O tratamento poderá passar por medidas de estilo de vida, toma de medicação e/ou cirurgia. O seu médico saberá indicar a melhor opção para o seu caso específico.

  • As medidas de estilo de vida destinam-se a minimizar os fatores de risco e a atenuar os sintomas. Por exemplo, se tiver excesso de peso, perder peso pode ajudar; se tossir com frequência e for fumador, deverá deixar de fumar.
  • Dependendo da gravidade do problema, fazer exercícios de Kegel pode ser útil. Estes exercícios fortalecem o pavimento pélvico e aliviam as dores nas costas e o desconforto na zona da barriga. São desaconselhadas atividades desportivas intensas como a corrida, o levantamento de pesos ou exercícios abdominais intensos.
  • A aplicação local de cremes com estrogénio melhora a qualidade da mucosa, diminuindo os sintomas irritativos (por exemplo, da síndrome de bexiga hiperativa) e criando uma mucosa melhor para os resultados cirúrgicos, se for o caso.
  • Existem opções cirúrgicas que permitem corrigir os defeitos do pavimento pélvico, restaurando a posição anatómica dos órgãos atingidos.
  • Noutros casos, o médico poderá recomentar o uso de um pessário – dispositivo, normalmente de silicone ou plástico, que se introduz na vagina para suster o útero. É uma solução para mulheres em idade fértil ou para as que têm outra patologia que impossibilita a realização da operação.

40% a 75%

Em caso de obesidade, o risco de prolapso genital aumenta nesta proporção, segundo a Associação Portuguesa de Urologia